QUAL ÉTICA PARA A PRÁTICA PSICANALITICA NA ATUALIDADE?

A psicanálise, desde Freud, enfrenta diversas resistências. Atualmente, é desafiada pela neurociência e pelo cognitivismo. Várias psicoterapias também concorrem com ela, inclusive na esfera religiosa. Em alguns países, tende a ser excluída dos atendimentos de saúde pública ou de ensino.

Nos últimos cinquenta anos, uma série de mudanças políticas, sociais e técnicas típicas da fase neocapitalista em que vivemos afetam tanto os indivíduos que nos consultam por seu mal-estar quanto a nós mesmos, psicanalistas, já que somos todos sujeitos divididos desta civilização científica.

Lacan propôs uma escrita do discurso capitalista em que o vínculo social não é mais articulado ao impossível. A ideologia cientificista alimenta a ilusão de que tudo é possível e que o crescimento econômico pode ser infinito. Um impulso para o consumo gerou dívidas impagáveis para indivíduos, empresas e nações. Não há mais padrão monetário para se referir, e os mercados estão superinflados em uma corrida precipitada que cria novas bolhas. Não admira, então, que as desigualdades e a destruição do planeta tenham chegado a extremos talvez irreversíveis.

Estamos em uma civilização que objetaliza os sujeitos e empurra para o gozo, o que induz a ansiedade de despersonalização e depressão que tentamos aliviar através do consumo de objetos, drogas ou psicofármacos. Álibis que só aprofundam a alienação do sujeito diante de seu sofrimento e de seu desejo.

Como tudo isso influencia a formação e a prática dos psicanalistas?

Que questões são levantadas pela redução da frequência das sessões de análise ou controle?

Como podemos intervir quando muitos dos pedidos que recebemos não vão além da resolução – rápida se possível – da angústia ou do sintoma? Que conduçao do tratamento poderia levar os pacientes a realizarem uma análise adequada? Qual a direçao da cura?

Que efeito isso tem na transferência quando os laços e os relacionamentos amorosos se tornam superficiais?

Com a generalização das sessões online, quais são as consequências para o nosso ato e para o elaboração dos analisandos?

Os ensinamentos de Lacan sobre o discurso psicanalítico como o avesso do discurso do Mestre, e sobre o desejo do analista que nos leva a ocupar o lugar de objeto causa do desejo em relação ao analizando, são essenciais para responder a essas questões.

Este Congresso pretende abrir um debate sobre estas questões e outras que possam surgir em relação à ética que norteia a nossa prática, a partir da subjetividade do nosso tempo.



Comitê Organizador

Entidades que organizam o congresso

Cercle Freudien

Dimensions de la Psychanalyse

Fondation Européenne pour la Psychanalyse

Psychanalyse Actuelle

Com a colaboração de

Associaçao Psicanalítica de Porto Alegre

appoa.org.br

Escuela Freudiana de Buenos Aires

efbaires.com.ar

Comitê Organizador  Barcelona

Gisela Avolio
Marcelo Edwards
Alejandro Pignato
Lucía Pose